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Estudo define traçado para acesso ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha

Alternativa tem custo estimado de R$ 288 milhões, com ligação entre a Rota do Sol, Gramado e Canela

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Simulação do traçado prevê viagem de menos de uma hora entre o futuro aeroporto e o entroncamento com a ERS-325, em Canela.
Simulação do traçado prevê viagem de menos de uma hora entre o futuro aeroporto e o entroncamento com a ERS-325, em Canela - Foto: Reprodução/Daer
Por Ascom Daer

A ligação entre a Rota do Sol, o futuro Aeroporto da Serra Gaúcha (em Caxias do Sul), Gramado e Canela tem o traçado definido pelo Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da ERS-466. Os resultados foram apresentados nesta terça-feira (20/10), durante a abertura da 35ª Mercopar — feira de inovação industrial e negócios realizada em Caxias.

A alternativa escolhida segue pela Estrada do Juá até a ERS-235 e prevê curvas e rampas mais suaves, menor custo de implantação e menos retirada de mata nativa em comparação aos outros dois caminhos avaliados.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Logística e Transportes (Selt) e do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), conduz o planejamento da ligação. Elaborado pelo Consórcio Rodovias RS e aceito pela autarquia em setembro, o estudo prevê 46 quilômetros de intervenções, 41 deles entre a Rota do Sol e a ERS-235, em Canela, e os cinco restantes de acesso ao aeroporto. O custo estimado é de R$ 288 milhões, com valores de referência de janeiro de 2026.

Para o secretário de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, a escolha do percurso permite planejar o acesso ao aeroporto em conjunto com as necessidades econômicas da região: “A Serra Gaúcha reúne uma indústria que atende mercados de todo o país e destinos turísticos que recebem visitantes de diferentes regiões. O acesso ao novo aeroporto precisa estar integrado a essa dinâmica, facilitando tanto a chegada de passageiros quanto o transporte de cargas. Ao definir essa ligação, damos um passo para aproximar o futuro terminal dos municípios e das atividades que ele deverá atender”, afirma.

Governador Eduardo Leite apresentou resultado do estudo durante abertura da 35ª Mercopar, em Caxias do Sul.
Governador Eduardo Leite apresentou resultado do estudo durante abertura da 35ª Mercopar, em Caxias do Sul - Foto: Mauro Nascimento/Palácio Piratini

O porquê da escolha

O estudo comparou três alternativas. As duas primeiras, por Tunas Baixa e Tunas Altas, seguem o corredor da estrada atual, cruzam o vale do Rio Caí e chegam a Gramado. Com extensões de 50,5 e 50,2 quilômetros, respectivamente, tiveram custos estimados em R$ 499 milhões e R$ 517 milhões.

O diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, destaca que as estruturas necessárias para vencer o relevo pesaram na escolha: “As duas alternativas pelo vale do Rio Caí exigiriam uma ponte de 1.080 metros. Pelo Juá, o percurso prevê três pontes menores, que, juntas, somam 360 metros. Essa diferença, associada às curvas e rampas mais suaves, favoreceu a escolha de um caminho com menor custo de implantação e melhores condições para o tráfego”, explica.

A alternativa escolhida também apresenta menor necessidade de supressão de mata nativa: cerca de 9 hectares, diante de 24 e 27 hectares nos outros traçados. O caminho evita as encostas florestadas do vale do Rio Caí. O anteprojeto prevê ainda 49 passagens de fauna, estruturas que permitem o deslocamento de animais pela rodovia sem cruzar a pista, incluindo travessias sob pontes.

Na avaliação econômica, o estudo estima R$ 1,63 em benefícios para cada R$ 1 investido. O cálculo considera a redução do tempo e dos custos de viagem, além de efeitos indiretos sobre a produção, o emprego e a valorização imobiliária. Trata-se de uma projeção de benefícios econômicos, e não de receita para o Estado.

Traçado pela Estrada do Juá tem custo estimado de R$ 288 milhões, inferior ao das outras opções estudadas.
Traçado pela Estrada do Juá tem custo estimado de R$ 288 milhões, inferior ao das outras opções estudadas - Foto: Reprodução/Daer

Como será a ligação

A estrada atual analisada no estudo tem cerca de 51 quilômetros, dos quais 22 foram pavimentados pelos municípios. A pista varia de 3,3 a 4,3 metros de largura e não possui acostamentos.

Para a nova ligação, o anteprojeto prevê uma plataforma pavimentada de 12,2 metros, com duas faixas de tráfego de 3,6 metros e acostamentos de 2,5 metros em cada lado. Os levantamentos detalhados do terreno e as sondagens permitiram ajustar as curvas e adotar velocidade de projeto de 80 km/h, com 60 km/h nos trechos de serra. Esse parâmetro orienta o desenho da rodovia e não corresponde, por si só, ao limite de velocidade que será sinalizado.

As simulações do anteprojeto estimam, para veículos leves, percursos de 47 minutos da Rota do Sol até o entroncamento da Estrada do Caracol com a ERS-235, em Canela, e de 48 minutos entre o aeroporto e esse mesmo ponto. Os cálculos consideram a velocidade de projeto e velocidade de 40 km/h no trecho final.

Próximas etapas

Faustino também destaca as ações seguintes para transformar o traçado escolhido em obra: “Agora, o anteprojeto detalha essa alternativa a partir dos levantamentos de campo. A entrega está prevista para novembro e, na sequência, teremos as etapas de licenciamento ambiental, projeto executivo e licitação, necessárias para viabilizar o início dos trabalhos”, informa.

O estudo estima 36 meses para a realização da obra. Esse período corresponde à duração prevista dos serviços, não a uma data de entrega — já que a implantação depende das etapas preparatórias.

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